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Felipe Perazza, também conhecido como Andarilho, é profissional de marketing, designer e artista. Atua no mercado de comunicação e marketing há mais de 15 anos e como ilustrador independente. É também autor de 3 livros. O último deles, A Música dos Deuses, foi lançado em 2025 e conta uma história de fantasia com ilustrações próprias. É também o apresentador do Canal Felipe Andarilho - Arte e Design no Youtube que já conta com 26 mil inscritos.

Livro prova que você estava certo: a música ficou pior do que antes. Resenha do livro A Grande Trapaça Digital.

  • Foto do escritor: Andarilho Design
    Andarilho Design
  • há 5 horas
  • 2 min de leitura

Terminei de ler recentemente o livro A Grande Trapaça Digital, de Luiz Cesar Pimentel. Conforme seu subtítulo, a obra explica "Como as Big Techs destruíram a música, enganaram o público e sequestraram a nossa alma sonora".


A Grande Trapaça Digital mostra como as big techs manipulam o consumidor.

Se você já soltou aquela clássica frase algum dia: "Antigamente a música era melhor", pode respirar aliviado. Você estava certo. Talvez o motivo é que te surpreenda. Quem sente essa nostalgia musical normalmente é movido pela sensação de que não há música boa sendo produzida atualmente. Está aí o erro. Sempre existiram artistas produzindo músicas excelentes. O problema é que, como a indústria está montada, essas músicas dificilmente chegam até você.


Pimentel atua há muitos anos na área musical, além de ser pesquisador de Ciências Sociais. Segundo ele, a Grande Trapaça Digital do título ocorreu em 3 momentos da história:


  1. Criação do Napster em 1999, que originou a pirataria desenfreada e praticamente eliminou o custo para consumo de música.

  2. O lançamento do iPod e das músicas a 1 dólar pela Apple em 2003, matando de vez o conceito de álbum e o valor agregado que o artista produzia.

  3. A chegada do Spotify em meados de 2010 e de outras plataformas digitais que funcionam num sistema de exploração massiva do artista e pasteurização algorítmica que privilegia canções parecidas, eliminando tudo o que é diferente e novo.


(Assista também o vídeo que fiz sobre o livro no player abaixo)



Isso impactou para sempre o comportamento do consumidor - que já não consegue mais se conectar com a música como antes - e a carreira do artista - que praticamente perdeu sua principal fonte de renda que vinha das mídias físicas vendidas. Para sobreviver e com muita sorte vencer na vida na era o streaming, o artista precisa seguir as diretrizes da plataforma, gerando canções que vão bombar por algumas semanas, mas que são cada vez mais descartáveis.


Nessa dinâmica, somos ao longo das páginas impactados com pesquisas e números alarmantes que revelam o cenário de terra arrasada em que estamos vivendo. Aqui vão alguns dados:


  • Perdemos em torno de 40% do vocabulário musical, em comparação com 10 anos atrás. Ou seja, as músicas hoje tem muito menos variedade linguística e cultural.


  • A composição orientada ao algoritmo prioriza refrões fáceis, que chegam rápido e uso de palavras-chave como "bar", "sofrência" e "ex" para aumentar o engajamento.


  • A voz do cantor precisa aparecer nos primeiros 10 segundos para evitar a Skip-Rate (taxa que mede quando a canção é pulada e que pune a música, diminuindo sua visibilidade).


Capa do livro A Grande Trapaça Digital.
Capa do livro A Grande Trapaça Digital, de Luiz Cesar Pimentel.

Esse cenário torna praticamente impossível que artistas vivam de sua música autoral, a menos que se rendam ao algortimo. Ainda assim, as chances de sucesso são mínimas. Exatamente o que acontece no setor de conteúdo, no YouTube: aquele 1% com milhões de inscritos ganha rios de dinheiro, enquanto os 99% restantes recebem migalhas.


O livro é muito bem escrito e embasado. Para quem ama música é impossível parar de ler. Ao mesmo tempo, é impossível não sentir um desgosto com a idade das trevas em que vivemos quando se fala de música.


Recomendo, mas vá com o estômago preparado.


Felipe Andarilho

Arte, Design, Comunicação e Marketing

11 97138-7665

f.andarilho@gmail.com

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