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Felipe Perazza, também conhecido como Andarilho, é profissional de marketing, designer e artista. Atua no mercado de comunicação e marketing há mais de 15 anos e como ilustrador independente. É também autor de 3 livros. O último deles, A Música dos Deuses, foi lançado em 2025 e conta uma história de fantasia com ilustrações próprias. É também o apresentador do Canal Felipe Andarilho - Arte e Design no Youtube que já conta com 26 mil inscritos.

Divagando sobre o final de O Conto da Aia, série disponível na Netflix

  • Foto do escritor: Andarilho Design
    Andarilho Design
  • há 1 dia
  • 3 min de leitura

Texto com spoilers sobre o final de O Conto da Aia. Recomendo ler após ter assistido.


Com a infinidade de séries que são lançadas e disponibilizadas semanalmente nas infinitas plataformas de streaming, é raro hoje em dia encontrar séries que marcam. Daquelas que nos fazem pensar, conversar. Daquelas que nos chocam e nos emocionam.


Poster promocional da série com a personagem June Osbourne

Em tantos anos assistindo séries (com menos frequência do que eu gostaria), posso listar nos dedos de uma mão aquelas que se encaixam nesse grupo de séries que marcam. Spartacus, Game of Thrones, Breaking Bad e Ruptura são as que consigo lembrar de cara. O Conto da Aia foi a última dessas que assisti e, para não me deixar errar, completa os dedos de uma mão.


A série é baseada nos livros de Margaret Atwood e faz uma forte crítica a regimes opressivos, ditatoriais e que usam do fundamentalismo religioso para justificar suas atrocidades. Nela acompanhamos June Osbourne, uma cidadã dos Estados Unidos que, após um golpe de estado, se torna uma Aia, cuja única função é engravidar do seu Comandante, como são chamados os homens de poder.


Ao longo de 6 temporadas, acompanhamos com June como funciona Gilead. No começo, ela precisa simplesmente sobreviver. Ao longo da série, ela conhece esquemas e aliados, tornando-se uma combatente contra aquele sistema, primeiro por dentro, depois por fora e, ocasionalmente, se infiltrando de volta para cumprir missões. A força que a move é, principalmente, a esperança de recuperar sua filha, separada dos pais no momento do golpe.


Num cenário altamente repressivo, tudo é sempre muito arriscado. Por qualquer motivo banal, muitas Aias e Marthas são executadas, o que nos gera uma angústia enorme nos episódios. Apesar disso, June consegue importantes êxitos, como o resgate de muitas crianças e a morte de alguns comandantes. Ela nem sempre escapa ilesa e sofre consequências fortes para algumas ações, mas é perceptível que o roteiro dá uma facilitada na vida da personagem em alguns casos. Como eu disse, por muito menos outras aias foram parar no muro.



Na temporada final, vemos o desfecho de algumas ações coordenadas pela resistência Mayday e pelo governo dos EUA, no Canadá, como um ataque a um bordel e uma tentativa malsucedida de bombardeio em Boston. Em uma das cenas mais satisfatórias, as aias se rebelam e usam canivetes contrabandeados para eliminar os comandantes que foram sedados pelo bolo de casamento entre Serena e Warthon.


O final de Serena, destinada a viver como refugiada junto com seu bebê é triste e satisfatório em boa medida, visto que agora ela deverá encarar as consequências do regime que ajudou a criar. Antes opressora, agora deve viver como a oprimida, às custas de ajuda humanitária. Pena pela criança que terá um futuro duro principalmente por causa da mãe.


Mais satisfatório é ver Nick e Joseph explodindo no ar, com demais comandantes. Ambos covardes em larga escala, ao menos Joseph se redime por todo o mal que ajudou a criar, levando a bomba consigo à bordo. Nick, apesar da promessa de amor com June (algo que nunca me desceu), se revela, no fim, um mero interesseiro que aprende a gostar do poder. Triste para ele, bom para nós que celebramos a explosão.


O final mais amargo, ironicamente, fica sendo o de June (e consequentemente de seu marido, Luke), afinal, não conseguem realizar seu objetivo máximo que era resgatar a filha e decidem continuar lutando contra Gilead, cada um à sua maneira. Considerando o peso e a brutalidade da série, é um final condizente. Nem sempre os heróis conseguem tudo. Os melhores deles, muitas vezes falham, ou precisam sacrificar mais do que gostariam. É o caso aqui: muitos sacrifícios, algumas boas conquistas, mas o amargor de não obter o mais importante.


Essas sãs as grandes histórias e por isso O Conto da Aia consegue encerra-se perfeitamente.


Além disso é um final que permite o gancho para a nova série Os Testamentos, que já estreou no Disney+ e que conta a vida da filha, Hannah, como uma donzela de Gilead. Promete ser tão boa quanto a série original.


O Conto da Aia está disponível atualmente na Netflix.

 
 
 

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Felipe Andarilho

Arte, Design, Comunicação e Marketing

11 97138-7665

f.andarilho@gmail.com

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